Maria

Amar ia, ao mar ia
Amaria a Maria
Ah, amaria!
Ah, a Maria!

Consolo de um amigo fuso horário

Amanhã está sendo um dia lindo.

Sinestesia da saudade


Amargam-se os anos
Tecidos de saudade
Tão guardados
Longe dos beijos de um amor
Ou dos abraços de um amigo
Longe ainda do carinho dos avós,
De um presentinho escondido,
Tão perto essa saudade
Daquilo que jaz longe fenecido.

Longe, ao sul da pátria,
Salga-me o peito o sal da saudade
Tão perto, ao sul do Estado,
Dói-me a saudade 
De quem parecia ser
E não foi de verdade.

Longe, oposto ao mar,
Saudade fria, saudade!
Com cor azul da liberdade,
Branca da igualdade
E fraternidade vermelha.
Fraternidade do beijo de irmão
Do abraço fraterno,
Saudade-Futebol,
Saudade-verde,
Saudade-violão.

E nos Alpes a saudade se fez poeta
Carregando no vermelho a alva cruz,
E dos passos de Jesus, fez-se a meta,
E a meta fez-se a caridade,
Fez-se o amor,
Fez-se a solidariedade,
Desfez-se a dor,
Desfez-se em uma lembrança de saudade
Saudade-poeta,
Saudade-escada,
Saudade-jornal,
Saudade una.

Levou o vento forte da Aruanda
A saudade pro norte da Irlanda
Ou para a Irlanda do Norte?
E lá a saudade se fez som,
A saudade se fez música,
Saudade-ritmo
Saudade-timbre
Saudade-tom.

Dorme a saudade num cantinho do coração
De uma terra esquecida de nome Riachão,
Doce como pirulito de feira,
Quentinha como o bolo das três,
Fresca como as laranjeiras,
Pacata como o terço das seis,
Saudade-vívida,
Saudade-terna,
Saudade-avita,
Saudade-eterna.



Triângulo amoroso

Daniela
Dan e Ela
Eu, sozinho.

Carol, Ana, Carolina

Cara Ana, Carol, Carolina,
Você há um dia de ser minha menina
Dos meus olhos que se vidram à tua retina
Só pr’eu poder tocar-te da cabeça os fios de queratina.

Cara Ana, Carolina, Carol
Você há um dia de ser a luz do farol
Da frestinha da janela que se abre ao pôr do sol
Que não se cansa nem descansa a cor do girassol
Só pr’eu sentir seu calor tocar de leve meu lençol.

Cara Carolina, Carol, Ana
Você há um dia de ser minha varanda
Da casa que hei de construir em terra plana
Pra ver-te à brisa os cabelos detrás dos pés de banana
Sob a luz do seu farol invadindo minha janela tão bacana
Só pr’eu te ver correndo, menina dos meus olhos... na praia de Aruana!

Atlantis Futebol Clube



Eis que nasceu um laço
Que traço
E desfaço
E refaço
E abraço
No adormecer de cada semana.

Do verde-grama fiz meu campo de batalha
Do vermelho-sangue fiz da minha veste a malha
Do branco-riso fiz do irmão o conforto à falha.

A marcha uniforme dos vossos pés me direciona
Tomo o mundo ao couro, ao fulgor que vem à tona
A cada instante de suor fraterno que ao peito emociona
Da minha vida em guerra faço à fraternidade a dona.

Eis que à unidade caminhamos, do triunfo ao espinho
Eis que à derrota amarga a amizade fez o doce vinho
Eis que à frota a proteção traja o escudo azul-marinho
Eis que ao vosso lado nunca andarei sozinho.

Amor daltônico

Dê-me o verde maduro dos teus olhos
Para que eu ofusque o frio do céu cinzento
Com o negro de teus cachos coloro o vento
Com a água dos teus lábios aos meus molho.

Co’a vermelhidão de tua face nua eu me aqueço
E na brancura dos teus pés úmidos me deito
Na pequenez desses pezinhos me deleito
Na brandura de teus beijos estremeço.

O bálsamo destilado de teu hálito respiro
No azul de tuas mãos espalmadas eu navego
E à candura de teu sorriso ressoado eu me entrego
Banhado pela mirra de teus dedos eu transpiro!